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Em ‘Pan’, Pettaluck (Emma Reed) constrói um universo sonoro tão contraditório quanto catártico, mesclando influências que vão do post-punk ao chill gabber, passando por experimentações ambientais e maximalismo lúdico, uma trilha sonora positivamente perturbadora. O álbum, gravado em um galpão em Southend-on-Sea, reflete o isolamento da maternidade e os fantasmas da pandemia, mas transforma angústia em celebração, ainda que absurda e despretensiosa.
A produção é um dos maiores trunfos do disco. Se em ‘Pass’ (seu álbum de estreia) Pettaluck explorava texturas mais minimalistas, aqui ela abraça uma paleta vasta: sopros dissonantes, batidas drum ‘n’ bass, harpas melancólicas, bateria pulsante e vocais peculiares, drones e ambiências. O álbum lembra trabalhos de Brian Eno, mas com uma identidade bastante própria, autônoma, criativa e inspiradora, misturando faixas e gêneros em tempos habituais com faixa de quase 10 minutos.
As letras oscilam entre o confessional e o nonsense poético. Com líricas sobre pequenos rituais de afeto e que abordam solidão e resiliência, além de cantiga infantil distorcida. A dualidade é constante: o profano vira sagrado e o pessoal soa universal.
O álbum, de 8 faixas brilha na ousadia e não é fácil de categorizar (muito menos necessário), e é aí que reside seu charme. Pettaluck não teme o caos, abraçando imperfeições como parte da arte. Comparado a artistas como Big Lad ou até mesmo a fase mais experimental de PJ Harvey, o disco se destaca por sua humanidade, é uma obra sobre cura, mas sem didatismo.
Original, visceral e surpreendente, ‘Pan’ é um álbum que recompensa ouvidos pacientes. Não é perfeito, mas sua beleza está justamente na bagunça: como a vida, é feito de fragmentos que, juntos, formam algo maior. Pettaluck prova que, mesmo em tempos de colapso, a música pode ser um ato de resistência e de alegria despretensiosa.
Para quem curte: Bjork, Adam Ant, St. Vincent, Brian Eno e música DIY com alma, ‘Pan’ é uma super indicação para playlists do gênero.
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ENGLISH:
In ‘Pan’, Pettaluck (Emma Reed) constructs a sonic universe as contradictory as it is cathartic, blending influences ranging from post-punk to chill gabber, through ambient experimentation and playful maximalism—a soundtrack that’s positively unsettling. The album, recorded in a warehouse in Southend-on-Sea, reflects the isolation of motherhood and the ghosts of the pandemic, yet transforms anguish into celebration, albeit absurd and unpretentious.
Production is one of the album’s greatest strengths. Where ‘Pass’ (her debut) explored more minimalist textures, here she embraces a vast palette: dissonant brass, drum ‘n’ bass beats, melancholic harps, pulsating drums, peculiar vocals, drones, and ambient soundscapes. The album recalls the work of Brian Eno but with a distinctly original, autonomous, creative, and inspiring identity, mixing tracks and genres in conventional lengths alongside a nearly 10-minute piece.
The lyrics oscillate between confessional and poetic nonsense. They touch on small rituals of affection, loneliness, and resilience, alongside distorted nursery rhymes. Duality is a constant—the profane becomes sacred, and the personal sounds universal.
The 8-track album shines in its boldness and isn’t easy to categorize (nor does it need to be), which is where its charm lies. Pettaluck doesn’t fear chaos, embracing imperfections as part of the art. Compared to artists like Big Lad or even PJ Harvey’s more experimental phase, the album stands out for its humanity—it’s a work about healing, but without preachiness.
Original, visceral, and surprising, ‘Pan’ is an album that rewards patient listeners. It’s not perfect, but its beauty lies precisely in the mess: like life, it’s made of fragments that, together, form something greater. Pettaluck proves that even in times of collapse, music can be an act of resistance and unpretentious joy.
For fans of: Björk, Adam Ant, St. Vincent, Brian Eno, and DIY music with soul, ‘Pan’ is a top recommendation for genre playlists.
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Pan de Pettaluck
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