PENNAN BRAE RESGATA A MEMÓRIA LUMINOSA DE VANCOUVER EM ‘STUDIO’

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Na capa de ‘Studio’, um letreiro de néon vintage ilumina a noite urbana de Vancouver. A ilustração de Nathan Gowsell não funciona como mero adorno nostálgico, mas como síntese visual do projeto do cantor e compositor canadense Pennan Brae. Em um ecossistema musical marcado por produções digitais assépticas, Brae busca na herança física do rock das décadas de 1970 e 1980 o material para construir sua obra.

O álbum, lançado em junho de 2026 como uma extensão natural de ‘Paint’ (2025), foi gravado no Blue Light Studio sob o comando do produtor Kaj Falch-Nielsen. Em apenas 26 minutos distribuídos por sete composições, o registro prioriza texturas orgânicas. A espinha dorsal sonora surge do atrito entre uma guitarra Fender Mustang e o timbre denso de um órgão Hammond da década de 1960, processado por uma caixa Leslie vintage. A cozinha ganha peso com a presença do baterista Steve Ferrone (membro expressivo do Tom Petty and the Heartbreakers), cuja precisão técnica sustenta as variações estilísticas do trabalho.

A faixa de abertura, “Scratch”, estabelece um diálogo direto com o rock alternativo de influência davidbowiana, misturando arranjos angulares a melodias excêntricas. Na sequência, “Deja Vu” e “Hig & Jig” recorrem ao groove direto característico do Rolling Stones. O fechamento, com a versão dance mix de “It Ain’t Perfect But It’s Free”, flerta com a cultura pop oitentista sem perder o elo com o restante do repertório.

Mais do que exercitar uma afeição ao passado, Brae utiliza as luzes de néon de Vancouver como metáfora da própria música: artefatos de um tempo em que o espaço urbano e a criação artística dependiam de presença, atrito e luz própria.

ENGLISH:

On the cover of Studio, a vintage neon sign illuminates Vancouver’s urban night. Nathan Gowsell’s illustration serves not merely as nostalgic decoration, but as a visual synthesis of Canadian singer-songwriter Pennan Brae’s project. In a musical ecosystem defined by sterile digital productions, Brae draws upon the tangible rock heritage of the 1970s and 1980s to craft his work.

Released in June 2026 as a natural extension of Paint (2025), the album was recorded at Blue Light Studio under the direction of producer Kaj Falch-Nielsen. Spanning just 26 minutes across seven tracks, the record prioritizes organic textures. Its sonic backbone emerges from the interplay between a Fender Mustang guitar and the rich timbre of a 1960s Hammond organ, processed through a vintage Leslie speaker. The rhythm section gains heft from drummer Steve Ferrone, a prominent member of Tom Petty and the Heartbreakers, whose technical precision anchors the album’s stylistic shifts.

The opening track, “Scratch,” engages directly with David Bowie, esque alternative rock, blending angular arrangements with quirky melodies. Next, “Deja Vu” and “Hig & Jig” channel the straightforward groove characteristic of the Rolling Stones. The closing track, a dance mix of “It Ain’t Perfect But It’s Free”, flirts with 1980s pop culture while maintaining a cohesive link to the rest of the repertoire.

More than simply indulging a fondness for the past, Brae uses Vancouver’s neon lights as a metaphor for his music itself: artifacts of an era when urban space and artistic creation relied on physical presence, friction, and a light all their own.

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